Todo dia uma poesia

28/02/2005 01:48

O monstro na janela

Nem sequer abrira os olhos
e já, num reflexo condicionado,
escancarava a janela ao sol da manhã,
quando percebi uma boca enorme
de dentes pontiagudos e capaz de me engolir.

Era um monstro pré-histórico,
sorrateiramente postado
numa armadilha para me devorar.

O medo que tive me deu três minutos
de paralisia e reflexão.
São os três que, normalmente, prenunciam
a absorção da mente pela vigília.

Foi tempo de curtir associações livres
e fazer relações até então absurdas.
Foi o tempo de criar fantasias
com o tecido da vida.
Um saborzinho disso ficou na memória
quando o medo acabou.

E quando o medo acabou, voltou o desespero,
e o desespero encontrou respaldo
num acontecimento inusitado e drástico,
feito como que sob medida.
Depois do desespero, veio o ímpeto,
e saltei dentro da boca do dinossauro
antes que tudo voltasse ao que era antes.

enviada por vinicius






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