Todo dia uma poesia

04/03/2005 10:55

A obra que extrapola

Simetria de abajures.
Travesseiros lado a lado.
Mesmo a vista mais aguda
não vê rugas no lençol.

Entre os quadros da parede,
precisão, paralelismo.
No tapete, ângulo reto.
Cada móvel bem imóvel.

Mas me movo, erro, esbarro,
tiro a ordem onde a quis.
Eu, tão tosco para o quarto,
não pertenço ao que criei.

Dormirei bem confortável
no sofá, que é minha cara.


enviada por vinicius






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